Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio e amplia aversão a risco
Os mercados globais encerraram o pregão em tom mais defensivo, com a escalada das tensões no Oriente Médio reacendendo as incertezas sobre a normalização do fluxo de energia. Ruídos no Estreito de Ormuz mantiveram o petróleo acima de US$ 100 por barril, elevando a volatilidade e recolocando no radar as preocupações inflacionárias e os limites para cortes de juros. O quadro ganhou contornos adicionais após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informar que forças americanas já redirecionaram 33 navios desde o início do bloqueio naval contra o Irã, reforçando o risco de disrupções, ainda que parte do tráfego comercial siga operando. Nesse ambiente, o apetite por risco foi contido: as bolsas de Nova York perderam tração após máximas recentes, enquanto Treasuries e o dólar fecharam em alta, em meio à divulgação de balanços corporativos e a indicadores mistos de atividade — mais fracos na Europa e mais resilientes nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ao longo da reta final dos negócios, o sentimento piorou com a notícia da renúncia do presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, nas negociações com os Estados Unidos, o que foi interpretado como um sinal de maior dificuldade para avançar em um acordo que leve à redução das tensões geopolíticas. A leitura elevou os prêmios de risco: os preços do petróleo aceleraram a alta, superando 3% nos contratos futuros em Londres e Nova York, enquanto os mercados de juros ampliaram movimentos de abertura de taxas e as bolsas aprofundaram as perdas.
No Brasil, sem gatilhos domésticos relevantes, o pregão foi amplamente guiado pelo ambiente externo. O Ibovespa fechou em queda, pressionado por bancos, mineração e papéis mais sensíveis à curva de juros, enquanto o setor de petróleo ajudou a limitar perdas mais expressivas. Ao término do pregão, o Ibovespa tinha queda de 0,78% aos 191.378 pontos, com giro financeiro de R$ 24,6 bilhões. A alta do Brent reforçou preocupações com inflação e custos, levando a curva de juros local (DI) a fechar em alta, em linha com o movimento observado nos Treasuries. No câmbio, o dólar avançou e encerrou com alta de 0,60%, aos R$â¯5,00.